|
Freud: Caso do pequeno Hans (1856 –
1939)
Observa-se pelo ângulo histórico que o pequeno Hans foi a primeira
criança da Psicanálise. Este caso clínico não provém da observação
direta de Freud. Coube a ele assentar as linhas gerais do tratamento
que foi realizado por intermédio de vários relatos escritos pelo
próprio pai do menino.
Na
opinião de Freud, ninguém mais poderia persuadir uma criança a falar
sobre o que sentia, acreditando que as dificuldades técnicas em uma
análise com criança seriam incontornáveis.
Através
deste caso, Freud percebe a impossibilidade de uma nova
especialidade na Psicanálise como também a confirmação das teorias
sexuais infantis concluídas e reconstruídas nas análises dos
pacientes adultos.
Com o
desenvolvimento do trabalho da análise através da direção do
tratamento feito por Freud e suas interpretações, as angústias e os
temores que afligiam o pequeno Hans vão se dissipando, e assim
dar-se-á a elaboração da estrutura fóbica que representava a
expressão da impossibilidade de um corte com a mãe e da relação com
a função paterna e a castração.
Esta
experiência pôde comprovar que a criança, embora impossibilitada de
expressar-se totalmente com palavras, era capaz de entender o que
lhe era dito pelo adulto. Desta maneira, compreendendo a criança o
significado latente de seus jogos, desenhos, sonhos diurnos e
associações, a interpretação seria tão eficaz quanto no tratamento
de adultos.
Para
Freud ainda faltava comprovar se a criança poderia estabelecer um
vínculo transferencial com o seu analista; confirmação esta
fornecida através dos psicanalistas de crianças posteriores a Freud.
Através
da substituição da associação livre pela linguagem pré-verbal, a
comprovação da capacidade da criança de compreender a interpretação
e de estabelecer uma transferência com o analista, pôde-se falar que
neste momento não só nascia um método de trabalho com criança como
também a comprovação de que a Psicanálise com crianças é a
Psicanálise.
|