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(...Pois uma psicanálise não é uma investigação científica imparcial,  mas uma medida terapêutica. 

 Sua essência não é provar nada,  mas simplesmente alterar alguma coisa(...)” 

 Sigmund Freud

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"Meu filho não quer comer”

“Meu filho não quer comer” esta é uma queixa escutada freqüentemente por pediatras, psicólogos e que acaba chegando também aos nossos consultórios (psicólogos e psicanalistas). Em muitas das vezes , essa queixa constitui o questionamento principal da consulta  ou destaca-se vivamente durante o interrogatório das condições habituais de vida.

Estatísticas mostram que 10 a 25 % das crianças têm algum transtorno alimentar. As crianças podem apresentar uma gama mais ampla e variada de alterações do comportamento alimentar , que ocorrem em um continuum, desde o nascimento até a puberdade podendo refletir situações passageiras ou problemas mais graves, com prejuízo do desenvolvimento .

A alimentação e todos os comportamentos relacionados a ela tem um papel fundamental no desenvolvimento infantil.O repertório cognitivo infantil é limitado, e, por isso o comportamento alimentar não tem apenas a função de garantir o aporte calórico necessário ao crescimento ; é também uma das vias preferênciais de expressão das experiências subjetivas das crianças.

Nos primeiros meses de vida através do sono e da alimentação, os ritmos biológicos da criança serão regularizados. O bebê tem no ato de mamar uma de suas principais atividades . Pelo ato de sugar e ingerir o leite, de expressar desconforto porque está com fome e satisfação quando mama, que se dão suas experiências iniciais no mundo externo e a formação dos primeiros vínculos afetivos na relação mãe/bebê.

Com o passar do tempo, ocorre uma desaceleração da velocidade do crescimento, cuja conseqüência é uma diminuição expressiva do apetite.

Já nos anos pré- escolares, a criança se volta para o reconhecimento da própria individualidade, a separação da mãe se acentua , e a criança passa a exercitar a recém adquirida autonomia. A alimentação passa a ser vivenciada nesse contexto, e é muitas vezes, utilizada para separar sua vontade da do adulto e para tentar controlar o ambiente e fazer pequenos testes de independência. É nesta fase que se desenvolve os quadros de recusa alimentar ou inapetência na infância.

Na fase escolar, com o estabelecimento do sentimento de identidade, a criança é capaz de pensamento operacional concreto e raciocínio lógico. Seus horizontes são ampliados e seu universo escolar adquire maior importância , voltando-se para a criação , produção e aprendizagem. Seu grupo social passa a ser uma referência importante , à qual a criança se compara continuamente.

A recusa alimentar na primeira infância é um quadro que mobiliza muita angústia, sentimento de frustração   e sensação de impotência dos pais.

 

O que caracteriza essa recusa de alimentos?

·         Desinteresse pela comida e falta de prazer

·         Preferência por um número pequenos de alimentos

·         Alimentos sempre do mesmo tipo ou consistência

·         Tendência a ritualizar  à refeição

·         Inapetência entre 14 meses e 5 anos

Causas  prováveis:

·         Nascimento do irmão

·         Ingresso em creche ou escola

·         Separação da figura materna ( retorno ao trabalho)

·         Morte de um parente próximo

 

Ao persistir a recusa alimentar  e passar a prejudicar o desenvolvimento físico e emocional da criança, deve-se ficar atento porque  é uma indicação de que algum mal  ambiental ou de relacionamento está afetando a criança. Se as possibilidades de enfermidades orgânicas forem  descartadas a criança deve ser encaminhada para avaliação psicológica.

A seletividade alimentar é a expressão utilizada para caracterizar crianças que comem somente uma gama muito estrita de alimentos e resistem intensamente a qualquer tentaiva de fazê-los aumentar seu repertório alimentar.

Essas crianças escolhem uma dieta de carboidratos com pães, pizzas e batatas fritas. Também apresentam particularidades sobre as marcas e formas que são preparados . É preocupante quando essa dieta envolve grande números de alimentos. Essas crianças não apresentam retardos de crescimento e peso baixo.

Tanto a recusa quanto a seletividade podem estar ligados a sintomas fóbicos relacionados a determinados tipos  de alimentos. Pode ser a única manifestação de protesto e oposição frente aos pais . Conflitos familiares na hora da alimentação também pode interfirir.

 

 
 
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