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(...Pois uma psicanálise não é uma investigação científica imparcial,  mas uma medida terapêutica. 

 Sua essência não é provar nada,  mas simplesmente alterar alguma coisa(...)” 

 Sigmund Freud

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Cinema e Psicanálise

O cinema é contemporâneo da Psicanálise, ambos surgiram no fim do século XIX. Ambos causaram impacto e constroem-se na singularidade do sujeito.

       O cinema como obra artística envolve as experiências do autor, dos atores, do diretor, o processo criativo, além da história que, no cerne, atualiza as nossas fantasias encobridoras, além dos conflitos edipianos e desejos.

       Ao inserirmos a análise de um filme pelo viés da Psicanálise, remetemo-nos que esta nos aponta para uma história, atende aos interesses culturais, sociais, à satisfação pulsional do sujeito. Através da imagem, o cinema inscreve-se na sua subjetividade, posto que, alia a palavra com a imagem produzindo um obra ficcional que nos leva ao sonho, devaneio, interpelações, reflexões e entretenimento.

         Através dessa experiência de assistir ao filme acessamos nossos processos primitivos, fantasiamos, iludimos e depois desenvolvemos o nosso próprio registro subjetivo, o que é fato, o que é real, o que é ilusão, ajudando a compreendermos o mundo a nossa volta e toda nossa força criadora.
        A articulação de Cinema e Psicanálise pode ser uma análise da expressão histórica do que somos e do que podemos vir a ser entrelaçados por diversos campos por onde estão os nossos desejos.


 

CINEMA E PSICANÁLISE

“Sabemos que Freud ofereceu enorme resistência aos projetos de se fazer um filme psicanalítico. A primeira realização reconhecida como tal, no gênero, foi Segredos de uma Alma, realizado em 1926 por G. W. Pabst com consultoria de Hans Sachs e de Karl Abraham. Freud não acreditava que se poderia apresentar visualmente os mecanismos psíquicos, duvidando da pretensão de traduzir em imagens os processos psicanalíticos. Estaríamos nos aproximando da dimensão regressiva que ele identificara na passagem do verbal para sua representação pela imagem tal como acontece nos sonhos? Como diz Pontalis: “O edifício da psicanálise foi construído sobre as ruínas do templo da imagem”. Ainda assim- como nos lembra Jansy – a imagem no cinema pode ir aonde a palavra não alcança. Cinema, teatro, pintura, música ou literatura, assim como a psicanálise, têm o poder de nos transformar . Freud via a criação artística como sendo a expressão dos primeiros prazeres de criança que os adultos acabam perdendo de vista ou inibindo, mas aos quais o artista permanece ligado e os devolve e compartilha através da sua obra”. Isto nos remete a Paul Ricoeur, quando, estudando Freud, diz que “se o olhar do sonho é para trás, a obra de arte pode também configura-se como um símbolo prospectivo da síntese pessoal do artista, mobilizando energias antes investidas apenas no passado”. O cinema representa uma das formas mais bem sucedidas de entender as conquistas da arte a um universo social mais amplo”.

 

 

Fonte: CINEMA E VERDADE, SONHO E REALIDADE PSÍQUICA – Luiz Fernando Guedes G. Soares

 

 

Filme : O quarto do filho

Título Original: La Stanza del Figlio


Gênero: Drama
Tempo de Duração: 98 minutos
Ano de Lançamento (Itália):
2001

Direção: Nanni Moretti

Elenco: Nanni Morete (Giovanni)  / Laura Morant ( Paola)

 Jasmine Trinca (Irene) / Giuseppe Sanfelice (Andréa)

 Sofia Vigliar (Arianna)

 O filme O Quarto do Filho nos convida a pensar na perda de um ente querido e em como seguir em frente a partir de tal fato.  Questiona também o papel do analista e como lidar com a raiva diante da Morte, à decepção do sonho de uma “certa” vida tranqüila. É a história de um analista e sua família: Giovanni, psicanalista, vive feliz ao lado da mulher Paola e com dois filhos adolescentes. Giovanni trabalha em seu consultório anexo à casa, o que mostra seu envolvimento com a família e o trabalho. A tranqüilidade desta família unida começa a ser quebrada logo no início do filme quando o filho é acusado de roubar um fóssil na escola. O pai crê na inocência do filho e fala com o diretor e o pai de um colega de classe do filho. Mais tarde, o filho revela à mãe em quem confia, que realmente roubou o fóssil. Aqui, tem um ponto importante, a relação com o pai é frágil, e encobre uma “normalidade”, uma “união”.

Dias depois, o pai ao atender um chamado urgente de um paciente em um domingo que combinou um programa com o filho, Giovanni deixa de acompanhar o filho. Mais tarde, recebe a notícia do falecimento do filho. Seu mundo desmorona. Lidar com essa perda irreparável, a dor, a raiva projetada na figura do paciente mostra como seus laços e tudo em que acreditava foi abalado. Sua família se desestrutura, o trabalho o desencanta, vai procurar ajuda com outro colega de profissão que não lhe compreendi, não lhe salvaguardando as esperanças. O filme vai pouco a pouco mostrando um Giovanni que se depara com um dilema: como entender o outro e o mundo quando já não se entende a si mesmo? Então, como resignificar, como restaurar a paz interior após o ocorrido? Mostra o lado humano deste profissional, cuja suas premissas de uma vida saudável, uma família feliz morando em uma cidade pequena, calma, tudo cai por terra. Nesta busca de entendimento o pai tenta voltar no tempo, e reconstruir aquele domingo fatídico, imaginando o que teria ocorrido se ele tivesse ido correr com o filho. Talvez ele não tivesse morrido. Mas isso não ajuda a superar a dor. E, então, após este período de luto, encontram em Arianna um caminho para o entendimento da morte do filho e uma busca de sentido nas coisas

 

 
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